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  • Foto do escritorFelipe Alecrim

…e se for assim, então eles não merecem gente como nós.


Dias atrás (pensaaaava em você… kkkkk to brincando) eu tomei uma leve bronca da P.O do meu time por pedir desculpas demais, mesmo por coisas que a culpa não era minha. E isso me levou a essa reflexão a nível de tudo que já vivi em 15 anos de experiência no mercado de trabalho.


Não foi a primeira vez, minha terapeuta já me disse isso também, talvez algumas coisas da minha criação respondam, mas de fato isso me levou a um caminho de reflexão voltado mais ao ambiente corporativo.


Nós, enquanto classe trabalhadora e colaboradores de instituições corporativas, conhecemos e refletimos bastante sobre a síndrome do Impostor, que é caracterizada por pessoas que têm tendência à distorção da percepção de auto eficácia. Onde, o indivíduo constrói, na sua própria cabeça, uma percepção de si mesmo de incompetência ou insuficiência, se colocando nessa sensação de incapacidade. Esse não é um assunto tão incomum hoje em dia e isso é excelente. Essa reflexão é extremamente importante, ainda mais se for complementada ao entendimento sobre o Dunning Kruger Effect, para pensar em tudo aquilo que efetivamente EU SEI versus tudo aquilo que EU ACHO que sei.


Essas são percepções e reflexões absolutamente individuais, independente do momento da vida. São ferramentas que podem nos ajudar a tomar decisões de caminhos da nossa carreira sem depender de ninguém, mas tendo racionalidade em tudo que decidimos.


Com tudo isso em mente, a gente vê e ouve relatos sobre ambientes que não nos dão espaço e voz para externalizar esses sentimentos. E isso faz com que esse tipo de característica seja normalizada de forma bastante perigosa e irresponsável, na minha opinião. Pessoas que pedem desculpa mesmo quando não tem culpa do problema, pessoas que sentem a necessidade de se desculpar apenas por levar a mensagem de assuntos que foram decididos pelos outros ou que se sentem oprimidas e inseguras no momento de explicar ou ensinar algo por conta de hierarquias antiquadas, onde o conhecimento é medido e levado em consideração pelo cargo. Isso pode gerar um sentimento de limitação muito grande, pois são ambientes que não nos ajudam a evoluir, mas muito pelo contrário, nos jogam sempre para baixo em situações de dúvida, constrangimento e sensação de estagnação. E pra mim, o mais perigoso de tudo isso é quando o discurso é humano, mas as ações no dia a dia não são. Quando nos deparamos com culturas que não conseguem levar ao time a importância de refletir sobre esses assuntos para que as decisões, as evoluções e as consequências sejam usufruídas por todos os envolvidos de forma horizontal. Infelizmente o mais comum é ver o discurso bonito e o selo do GPTW, mas o dia a dia bagunçado, controverso, raso e despreparado.


Ajudar pessoas a evoluírem profissionalmente é uma das coisas mais difíceis da vida. Requer um nível de responsabilidade imenso a partir do momento que você entende que tem outra vida colocando em você a expectativa de se desenvolver. Isso é nobre, mas também bastante complexo.

É aí que, pra mim, está o ponto a ser refletido. Uma prática muito comum (infelizmente) numa sociedade capitalista é a empresa depositar no colaborador a expectativa de que ele trabalhe diariamente para que somente os objetivos, metas, lucros e afins sejam alcançados.


Mas… e se o trabalhador refletir, encontrar e definir seus próprios objetivos, usar a instituição como instrumento para alcançar tudo isso e CONSEQUENTEMENTE os objetivos de ambas as partes serem alcançados? Percebe a diferença? Nos colocamos à frente dessa equação. Isso está longe de ser qualquer tipo de egoísmo ou prepotência, mas a partir do momento que pensamos assim e sabemos de forma clara nossos objetivos as decisões da nossa carreira tendem a ser mais assertivas. O que evoluir? Como evoluir? Porque evoluir? É o momento de mudar de instituição? Qual tipo de empresa eu busco?


Passamos a olhar as opções no mercado que efetivamente estão ligadas aos nossos valores. Para que essa troca de experiência passe a ser muito mais saudável e assertiva em relação a tudo: Comunicação, expectativas, clareza, honestidade, transparência, objetivos, evoluções, funções etc etc etc.

Buscar e entregar ferramentas ao time para que cada um tome o protagonismo de sua carreira além do corte de podcast, mas efetivamente apresentando formas e ferramentas para pensar e refletir sobre tudo isso. É assim que a pessoa veste a camisa. Porque a empresa nos entrega o valor e as ATITUDES para evoluirmos juntos e para que os objetivos de ambas as partes sejam levados em consideração. É isso que gera empoderamento e engajamento, porque todo mundo entende o valor por trás de cada decisão, cada plano de ação, cada vez que um problema precisa ser resolvido e etc. O time entende que tudo que está sendo feito é com objetivo de beneficiar ambos os lados.


Com essa clareza na mente, o discurso passa a ter muito mais sustentação e as ações cada vez mais engajamento.

E consequentemente a gente passa a fugir de instituições que direta ou indiretamente nos jogam pra baixo, nos fazem duvidar da nossa própria capacidade ou que criam um ambiente para que seja estabelecida uma dependência para que a nossa evolução aconteça. Onde a cultura é: Se a empresa não falar o que você precisa evoluir, você nunca evolui ou a empresa simplesmente te comunica sobre skills que você precisa desenvolver, mas sem sequer te dar a oportunidade de entender, pensar e muito menos questionar sobre isso, pois não entendem que seja necessário proporcionar ao time um ambiente que gere reflexão para que cada um tenha a decisão das ações sobre a sua própria carreira/vida. Tal como um relacionamento abusivo. E se for assim, então eles não merecem gente como nós.


Eu estou absolutamente longe de ser um profissional perfeito (e nem quero isso), mas vou sempre valorizar o fato de fazer parte de ambientes que me ajudem a refletir, pensar e tomar decisões onde todo contexto seja perfeitamente explicado e entendido. Onde a preocupação com o bem estar e a evolução de cada profissional saia do discurso e ganhe sustentação com ações no dia a dia.


E esse NÃO É um pensamento utópico, mas completamente viável a partir de várias e várias ferramentas que por exemplo, o Gestão 3.0 e o CNV nos fornecem, mas só acontece desde que todos queiram. E no fim das contas, a consequência seria os objetivos de todos os envolvidos sendo alcançados.


Acredito que proporcionar a nós mesmos e ao time esse tipo de reflexão traz por consequência um grupo de pessoas auto suficientes e autônomas em relação às suas decisões e caminha naturalmente junto aos objetivos a serem alcançados pela corporação.


Potencializando a cultura e o pensamento coletivo e por consequência a essaa cultura sólida, também potencializa o indivíduo e não o contrário, onde geralmente se vê concorrências desleais e muitas vezes anti ética.


Nos meus mais de 15 anos de carreira, já passei por todas as versões dessas culturas, feliz e infelizmente kkkk, pois isso me gerou aprendizado e reflexão para tentar tomar decisões sempre ponderando e considerando tudo isso, mas a principal evolução é conseguir expressar e aplicar todos esses conceitos hoje em dia para buscar ser um líder melhor e poder ajudar as pessoas do time a evoluírem de forma mais concreta, assertiva e responsável.

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