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  • Foto do escritorFelipe Alecrim

Quando a noite se torna dia, ou vice-versa. Fluência na linguagem do silêncio.


Parte 1 - O silêncio que aprendi, que estou aprendendo. (eu acho, eu espero).


Como é difícil ficar quieto, né? Hoje em dia, todo mundo tem uma opinião, todo mundo virou especialista em tudo, tudo vira debate e discussão. Nos tornamos uma sociedade que anseia por TER RAZÃO. Talvez a ansiedade nos trouxe isso. Atualmente nosso desespero pelo argumento perfeito nos deixa cegos e surdos até quando o outro está falando, fazendo as pessoas entrarem em inúteis discussões sobre absolutamente tudo e buscando aquele prazer de ter razão, de ter vencido a discussão.


Eu comecei a me incomodar demais em ser essa pessoa, sabe? Como é difícil simplesmente aceitar que aquela é a opinião da outra pessoa e vida que segue. Mas, essa é mais uma vitória que a terapia me trouxe, entender a importância do saber ouvir e do ficar em silêncio quando necessário. Eu vim aqui dar aula sobre isso? Absolutamente não! Estou bem longe de conseguir ser assim, é basicamente uma luta diária nos mais diversos assuntos para conseguir evitar esse ímpeto. Mas, pelo menos hoje eu entendo os motivos desse incômodo e principalmente consigo enxergar os momentos que posso evitar ser essa pessoa. E além da luta diária de evitar o confronto desnecessário tem o desafio de tentar não expressar corporalmente a discordância, pois muitas vezes uma cara é pior que uma fala.


E dentro de tudo isso ainda tem a linha tênue entre o: Ficar em silêncio e ser omisso. Como eu coloco essas duas coisas na balança? É ficar em silêncio quando tem que ficar, pra evitar o confronto inútil e aquelas boas "tortas de climão" que a vida te dá e ao mesmo tempo saber se posicionar, não ser omisso, emitir suas ideias, opiniões e ideologias. Mas, definitivamente era uma balança que eu sequer pensava. Entendo que evoluí, ainda não por conseguir colocar isso 100% em prática, mas pelo menos por ter conseguido condicionar minha cabeça a refletir sobre isso e a partir daí, evitar muita coisa.


Nesse cenário, reflito que para mim o dia vira noite, pois eu sou daqueles que prefere o momento noturno e atualmente, quando percebo que consegui evitar qualquer tipo de discussão inútil sem guardar ou gerar sentimentos ruins em mim mesmo é uma vitória. É o dia se tornando noite, é a calmaria, a sensação de PAZ.


Inclusive, tem esse importante detalhe: Não criar sentimentos ruins em mim mesmo. Não adianta se sentir feliz por evitar a discussão inútil, mas também se encher de raiva, rancor, mágoa ou coisa parecida que acaba te fazendo implodir, o que definitivamente não é bom.


Por diversas vezes eu me pego falando comigo mesmo: "Para Felipe! Isso só existe dentro da sua cabeça, não vale a pena nem sequer pensar nisso!".


Enfim, é uma reflexão no fim das contas positiva por esse aprendizado já fazer da minha vida, ainda não da forma como eu quero, mas de certa forma já evoluído em comparação a tempos passados.


Parte 2 - O silêncio que eu não sei lidar.


Diferente da primeira parte com desfecho atualmente positivo, essa aqui me faz refletir e ter péssimas lembranças e terríveis sentimentos. O silêncio da timidez já me fez perder muita coisa nessa vida, infelizmente.


Quem me conhece ou já conviveu minimamente comigo provavelmente não me ache tímido. Eu sou o cara que vive falando de comunicação (kkkkkkkkkkk soa até irônico), mas esse sentimento sempre me assombrou e num cenário pós pandemia da Covid 19 isso só se fortaleceu. Como é difícil se enturmar, aquele primeiro passo social. Chegar num lugar com novas pessoas e conseguir se destravar para mínimas conversas, saber como se portar, o que falar, com quem falar, o que não falar, o que não fazer…. Cara, é um esforço a nível de dores físicas e cansaço mental.


Aquela velha besteira de querer gerar uma boa impressão, mas ao mesmo ir a um evento e ficar parado em pé como se fosse um segurança, contando os minutos pra terminar e quando finalmente acaba começa a bater a culpa e o arrependimento de ter perdido prováveis bons momentos.


E quando as pessoas percebem?! PQP, a vontade é uma só: Sair correndo e nunca mais precisar fazer contato de novo. As brincadeiras, as piadinhas e os comentários… que angústia! Mas, as pessoas não sabem ou não tem o preparo de lidar com aquilo, é um sentimento seu que muitas vezes ninguém sequer sabe que você tem.


Quando o clima se estabelece e o mínimo nível de intimidade acontece, tudo flui naturalmente, mas até que isso aconteça é uma angústia que não cabe no peito.

E como disse, o pós é ainda mais traumático, porque muitas vezes você volta pra casa já arrependido. Por não ter curtido o evento, trocado experiências, conhecido novas pessoas, novas histórias, criado novos vínculos… Mas, não adianta, aquele momento já faz parte do passado e seu presente agora é lamentar sua atitude de merda. Isso mexe comigo de um jeito surreal, eu realmente não queria ser essa pessoa, não queria ter esse sentimento. E o que mais me deixa chateado e com raiva é não conseguir sair disso.


Aqui definitivamente pra mim, a noite vira dia.


Um último parágrafo…

Essa é uma daquelas reflexões que muita gente pode se identificar. Eu realmente acho muito difícil que só eu tenha esse sentimento.


Um texto que está quase todo escrito em primeira pessoa. Efetivamente eu, falando de mim mesmo. Não sei se gosto disso, confesso. Ficou parecendo uma espécie de diário. Não é a minha pretensão, mas se caso alguém se identificar, pode tomar para si esse relato, só trate de não como eu, corre atrás de ser melhor na parte 1 e resolver a parte 2, combinado?

Temos um acordo.

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