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  • Foto do escritorFelipe Alecrim

Singular


O mundo está cada vez mais singular, meus amigos.

O "eu" está antes do "nós".


Os dias passam, as notícias vem e vão, os objetivos, a correria, a reunião, o trabalho, o dinheiro… O planeta está doente da falta de pluralidade. Tudo por causa do "eu", esse maldito sentimento de poder, riqueza e influência que deixa as pessoas cada vez mais egoístas, pensando apenas no seu mundinho, seu status e seus bens.


A pluralidade está esquecida, o pensar no próximo quase não existe mais. É sempre a minha ideia, a minha opinião, a minha ideologia, a minha crença, os meus objetivos… eu, eu, eu, eu… sempre eu.


Diálogos ficam insuportáveis, porque se tornam apenas uma batalha daquele que fala mais alto, que sofre mais, que teve a pior doença, que ganhou ou perdeu mais. Uma eterna disputa onde o prêmio é ter razão.


A pluralidade de pensar no bem maior, na luta coletiva, na divisão onde todos participem, opinem e saiam satisfeitos, isso parece não existir mais. A internet talvez tenha potencializado isso. Os likes, os cliques, a influência e os seguidores, tem gente absolutamente fanática e doente por isso, direcionando padrões de beleza, padrões comportamentais, estéticos, conversas cada vez mais normais sobre ostentações de bens materiais e etc. Parece que a empatia só existe na legenda do instagram, no tweet "good vibes", na prática o "eu" está em primeiro lugar.


Tudo bem que cabe a reflexão sobre aquela linha muito tênue do amor próprio e o egoísmo, eu sei disso, foi mais uma das coisas que a terapia me ensinou, porém essa reflexão e esse condicionamento racional dos atos das pessoas está em falta no mercado. A pluralidade perdeu força, ficou pra trás, não dá like, não chama atenção e não retém o público alvo, né? Infelizmente.


Não tô cagando regra e querendo pagar de evoluído sobre o assunto. Eu devo ser assim, eu sei. Sou tão singular quanto você, eu sei. Mas, confesso que isso me incomoda bastante, quando realmente percebo que as pessoas possam estar com esse sentimento em relação a mim, me tira o sono.


Tenho a esperança (é o que me resta) de um mundo mais plural. Onde o "nós" esteja na frente do "eu", onde a empatia saia do Instagram e apareça nas ruas, a começar por mim, inclusive. A esperança da consciência de luta coletiva, consciência de classe e consciência social. O que está ao meu alcance? Condicionar de forma racional as minhas ações com esse pensamento e buscar a pluralidade.


O que está ao nosso alcance? Tirar a empatia do Instagram (vamos ser honestos? Instagram e Linkedin já deu né? Mentira atrás de mentira… enfim rs), levá-la pra rua, pra mesa do jantar, pro trabalho, pra escola e pra vida…

Não ache que esse texto vai resolver esse dilema, porque não vai. Essa doença já afetou o mundo todo, que carece de paz e pluralidade.


O mundo precisa ser cada vez mais plural, meus amigos.

O "nós" estar antes do "eu".

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