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  • Foto do escritorFelipe Alecrim

INCONSTÂNCIA


Constantemente inconstante. Pois é!


Talvez um adjetivo que se encaixe perfeitamente em mim ou em você. Ou nos outros, dependendo do teu nível de autocritica. Constantemente nos achamos constantes, mas geralmente estamos enganados e eu pretendo tentar te explicar o porquê. E se eu não conseguir é porque provavelmente a minha inconstância já afetou as linhas e entrelinhas desse texto.


Eu sou assim, assumo. Até daqui duas taças de vinho, aí não sou mais, só que depois da dor de cabeça, me torno novamente. Até a terceira música do disco, até o capítulo 4 do livro, até o quinto acorde do refrão, até a sétima menor da melodia, até que aquela estrela não esteja mais lá, até a madrugada chegar ou o inverno passar. Eu sou um inconstante de carteirinha, sócio número do clube.


Diariamente percebo isso até nos pequenos detalhes. No jeito de falar, se vestir, me comunicar, escrever, ouvir, compor, tocar, estudar, comer e beber e até nos pequenos detalhes como respirar, olhar as estrelas, pensar no universo, pisar numa formiga, matar uma mosca. Inconstante pra tomar decisões, definir projetos, caminhos, processos e até os sonhos. Nem naquilo que quero sonhar eu consigo ser constante, nem nos meus desejos e muito menos nos sentimentos. Estou constantemente mudando de opinião, querendo tomar novas atitudes, arrependido por alguma coisa, instável e apreensivo por conta disso.


Ah! Inclusive, apreensão e inconstância caminham lado a lado (pelo menos ao meu lado). Sempre faltou uma frase naquela canção, sempre vai faltar um tópico naquela reunião, sempre falta alguma coisa, mas sempre parece que não falta nada.


Começar, planejar, executar e manter um projeto é sempre uma luta. Como uma fogueira, que se ascende, consome tudo que chega perto e depois depressivamente se apaga e nunca mais volta. A inconstância é como esse fogo, em um momento está a todo vapor, queimando tudo que vê pela frente, mas quando se apaga é totalmente esquecida e perde toda sua utilidade. Meu cérebro funciona assim, constantemente inconstante.


Surge uma ideia! Ela consome toda minha energia, quero fazer acontecer, quero começar, planejar e colocar pra funcionar ainda hoje, estou completamente concentrado nisso, mas depois de pouco tempo isso perde seu total significado e a chama apaga, o interesse se perde como uma brisa que entra pela janela. Assoprou, te refrescou e sumiu.


Talvez, assumir isso pra mim mesmo me fez bem, mas sempre que pode ela bate tão forte no meio da minha cara que me derruba de todos os degraus possíveis. Por isso mesmo eu digo que talvez tenha sido bom. Eu até hoje não tive algum momento que ela não esfregou na minha cara todo o seu poder, toda sua potência, dizendo em alto e bom som na minha mente que está lá, trabalhando a todo vapor, ou apagando todo vapor da lenha que queima meus neurônios. A Inconstância, que é diferente do desânimo. Talvez seja da mesma família, mas com poderes diferentes. Ela te convence de que está certa ou não desiste até que você no mínimo note o que ela diz.


Esse pode ser o parágrafo mais difícil desse texto, porque eu pretendo explicar o quanto eu já me acostumei e dizer que hoje até gosto dela. (HAHA). Como eu vou te convencer que a inconstância não é completamente ruim? Sinceramente não sei. E quer saber? Na verdade, eu nem quero te convencer sobre nada. Eu me convenci que ela faz parte de mim, que diariamente quer ser ouvida e de uma forma ou de outra faz com que eu saia na minha zona de conforto. Ela tem seus lados ruins, que inclusive devem ser até maiores que os lados bons, mas eu tive que me adaptar até pra não surtar de vez.


Se faltou uma frase na música, escreva de novo.


Se faltou um tópico na reunião, fale num outro momento.


Se depois da dor de cabeça causada pelo vinho ela voltou a te atormentar, tome outras 2 taças.


Se a nota menor da melodia te incomoda, crie uma melodia com notas maiores.


Se o projeto falhou, jogue os rascunhos no lixo e comece outro.

PORQUE NÃO? Isso soa como um texto de autoajuda e eu quero muito fugir disso, porém por mais que pareça piegas e cafona nós não temos outra saída. Quanto mais ficarmos lamentando, mais ela nos domina.


É irônico começar o texto assumindo minha inconstância, depois externar vários dos pontos negativos dela na minha vida, no final dizer que gosto dela e que de alguma forma ela é necessária pra mim. E por fim, terminar o texto te encorajando a não deixa-la te dominar.


Mas quer saber, isso só me mostra (e mais uma vez me mostra) o quão inconstante eu sou.

Constantemente inconstante. Pois é!


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