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  • Foto do escritorFelipe Alecrim

Carta aberta e pública a mim mesmo


Esse é com certeza, disparado e de longe o texto mais difícil desses meus quase 30 anos. A ideia dele é escrever algo direcionado a mim mesmo, conversar comigo mesmo, como se fosse um diálogo em frente ao espelho. Mas, porque isso pode ser tão complexo? Pelo simples fato de que eu tenho medo. Sim, confesso que tenho medo de mim mesmo, medo dos sentimentos, medo daquilo que não fiz e medo daquilo que posso fazer.

Sabe aquele medo de morrer sem se aceitar? Aquele medo de chegar aos 70 (se é que vou), com a sensação de vazio? Imagino que não seja o único.


Já adianto que esse texto pode ir por um caminho triste. Não pensei muito no desenrolar, mas apenas no tema. E dessa vez, se transparecer egocêntrico, me perdoem.

Esses dias ouvi sobre um site que fazia você escrever um e-mail pra enviar pra você mesmo depois de anos, Deus me livre, eu não quero isso. Não quero ficar me lamentando daqui 10 anos sobre uma realidade que estou passando agora. Isso pode funcionar pra muita gente, não pra mim, a ansiedade não deixaria rs. Esse texto pode servir como lembrança dessa época, apenas lembranças, ok? E nem estou considerando a chance desse texto simplesmente nunca sair do meu drive.


Estou prestes a completar 30 anos, aquele momento da vida que inevitavelmente te faz pensar naquilo que já passou e aquilo que vem pela frente. Talvez seja a metade da vida, considerando uma morte natural por velhice. Não acho que chego até os 80, por exemplo, não com meu lifestyle atual. 30 anos, cara. Trinta! Que bizarro. Obviamente não vou citar aqui o que já passei, pois não quero que pareça um conselheiro querendo competir com outras vidas, mas quem me conhece um pouco deve se lembrar de alguns fatos importantes.


Relacionamentos, sejam eles afetivos, de amizade, profissionais, ou de qualquer outro âmbito… quantas pessoas passam pela nossa vida. Muitas delas a gente tem a convicção que será pra sempre e do dia pra noite, não são mais. Se bem que geralmente nada acontece do dia pra noite, a gente só é teimoso e não quer acreditar naquilo que está bem debaixo do nosso nariz. Mas, sejamos honestos: Vale a pena renovar, às vezes. Existem relacionamentos com ciclos mesmo, início, meio e fim. E precisamos encarar o fim. Repito, estou falando de qualquer tipo de relacionamento.


A forma com que encaramos e ganhamos casca é o x da questão. Tem gente que nós não queremos perder, mas perdemos. Tem gente que às vezes bate aquela vontade de perder, mas ela tá sempre ali e o sentimento vai se renovando. Aqueles vínculos que são criados de forma tão forte e intensa que você tem absoluta certeza que vai conviver com aquela pessoa pro resto da sua vida, mas num instante algo acontece (ou nem acontece) e ela se vai, se distancia, se separa… Faz parte, é uma merda, mas faz parte.


Eu não sei se posso me considerar um cara intenso (até porque acho isso subjetivo demais rs), mas o ciclo das pessoas nesses meus 30 anos é efetivamente a primeira reflexão que vem na minha mente quando paro pra pensar. Até o momento, passei por 7 empresas (trabalho desde os 14 anos), 2 colégios e 1 faculdade. Além disso, fiquei 18 anos vinculado a uma instituição religiosa passando por quase todas as funções. É gente demais, absolutamente incontáveis pessoas que convivi e conheci, mas infelizmente, poucas que o contato continua da forma que gostaria. Eu sou fácil de criar vínculos, posso não ser a pessoa mais agradável do mundo para conviver, mas me apego fácil e confio fácil. Gente simpática me atrai e talvez seja por isso que sofro quando elas se vão.


Esse vai e vem das pessoas em nossa volta é sem dúvida parte muito importante dessa reflexão, mas também penso nos ciclos que a minha própria vida deu, os famosos altos e baixos. Assim como todo mundo, sempre tive aqueles momentos de incertezas, decisões não apoiadas por gente próxima, decepções, alegrias, vitórias, derrotas e empates rs. O fundo do poço veio, levou tudo que poderia levar, mas bati lá embaixo e encontrei uma mola pra me reerguer.


Não vou pagar de coach e te contar O SEGREDO do sucesso e também não me vitimizar em cima de situações que todos nós estamos dispostos a passar (já reparou o quanto eu fico me explicando? kkkkkk), mas esses ciclos nos fazem amadurecer nem que seja na força do ódio rs. Chega um momento em que você precisa encontrar uma força para se reerguer e partir para o próximo ciclo e é aí que as surpresas aparecem. Por mais organizado e metódico que você possa ser, alguma coisa sempre te surpreende. Do nada vem uma mensagem, uma proposta, um papo que desencadeia alguma coisa ou algo parecido. Eu aprendi a deixar sempre aquele espacinho para o acaso, aquele pedacinho do planejamento para "ver o que acontece", pois querendo ou não, vai acontecer. Depende de você receber, entender, desfrutar e aprender, seja o acaso bom ou ruim.


Mas enfim, senhor Felipe "fala demais" Alecrim, mesmo sem descrever os detalhes, você sabe por tudo que passou e como lidou com cada situação até hoje. Você sabe os traumas que ainda carrega e aqueles que conseguiu se livrar. Você, melhor do que ninguém nesse planeta, conhece a jornada que percorreu até aqui e aqui entre nós, sabemos que o saldo é muito mais positivo do que negativo, mas aquilo que foi (ou ainda é) negativo sempre vem assombrar seus sonhos. O importante, meu mano, é continuar tentando evoluir. Se permitindo errar e nunca deixar de tentar. É corrigindo os erros que se aprende e você tem completamente o direito de errar sempre, só depende de ti saber o que fazer com esses erros.


Não vou falar pra não ter medo de você mesmo só pra terminar o texto refutando o começo e saindo por cima, não vou. O medo tá aí dentro e você sabe disso, talvez você morra e leve ele junto de você. Talvez o que vai te fazer evoluir é tentar diariamente aprender a como lidar com esse medo, o que fazer com ele, racionalmente, emocionalmente e até espiritualmente. Porque ele existe, não para ignorar, mas se não encontrar uma forma de conviver e aprender com ele, você acaba enlouquecendo.


Medo de você mesmo, meu mano? Pois é. Eu sou o meu maior adversário.

Mas, como diria Rocky Balboa: Um passo por vez, um soco por vez, um round por vez.

E isso é papo pra outro dia.


E no fim das contas, nem foi tão difícil escrever esse texto.


Adeus.

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