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  • Foto do escritorFelipe Alecrim

Aquele dos 30


A nível de contexto: Hoje é dia 18 de Novembro de 2022 e exatamente ontem eu completei 30 anos de idade. Eu não queria escrever sobre isso, confesso que acho meio brega essa parada de usar aniversários como pretexto de reflexões e etc. Mas aí aconteceu uma parada que preciso externalizar… Inclusive, fica o alerta que é muito provável que esse texto seja em primeira pessoa, pois propositalmente quero abordar o fato como se fosse uma conversa minha comigo mesmo, em frente ao espelho da vida. Aperta o cinto que a viagem é longa. Uma das coisas que aprendi nos últimos dois é tentar (o máximo que der kkk) pensar e refletir antes de falar. Comunicação é o segundo tipo de arte que mais me encanta desde sempre (atrás só da música, obviamente) e ela me faz frequentemente pensar em como devo me comunicar com as mais diversas pessoas presentes na minha vida. Estou longe de ser qualquer expert no assunto, mas penso muito sobre isso. Como as pessoas me entendem? Como elas me ouvem? Como passar a mensagem de forma assertiva e satisfatória? Qual o sentimento que a pessoa tem ao conversar comigo? Comunicação também é ouvir. Como ouvir os outros de forma mais humana? Enfim… papo de doido kkkk, mas eu gosto.

Inclusive, a terapia potencializou ainda mais isso em mim (olha eu aqui de novo falando da terapia hahahahha). Ouvir com mais carinho e atenção, se colocar no lugar das pessoas, entender o sentimento por trás da conversa, condicionar a minha cabeça e DEPOIS falar é uma tentativa constante. Tentativa sim, porque eu sou um ser humano absolutamente limitado, então esse tipo de coisa requer um esforço imenso para que eu consiga realizar. É uma busca incessante e condicionamento mental quase que diário. Mas, pelo menos hoje eu reflito sobre essas coisas, fato que já me deixa bastante feliz.

São 30 anos de vida onde os últimos foram de longe os mais intensos dessa jornada, mas assim… DE LONGE OS MAIS INTENSOS! E prefiro usar o termo "intenso" pra não dizer outra coisa kkkkkkk. Últimos anos que me fizeram amadurecer na marra, na força do ódio e necessidade. Sem pagar de dramático, passei por coisas que muita gente já passou e muitos ainda vão passar. Não desejo pra absolutamente ninguém, mas sei que faz parte da vida. Preciso confessar, estou dando voltas e voltas, tentando explicar aquilo que não precisava, porque até aqui basicamente estou fugindo do assunto e sei exatamente o porquê. Dois anos depois, um dia após completar 30 anos, fui liberado da terapia! Pois é, eu deveria estar feliz. EU ESTOU FELIZ! Mas, caralho! Me pegou de surpresa, confesso. 2 anos descobrindo e enfrentando traumas que eu nem sabia que existiam, outros traumas que o culpado era eu mesmo, outros que absorvi de pessoas, vários e vários e vários vários e vários e vários outros que os 30 anos me trouxeram. Tentando aprender a lidar com alguns e exorcizar outros. Tudo isso pra tentar aprender a conviver comigo mesmo de forma mentalmente mais saudável e também pra tentar aprender a lidar com as pessoas ao meu redor. Dois anos de lágrimas, reflexões, lágrimas, risos, raiva, lágrimas, respostas, perguntas, perguntas, perguntas, lágrimas por causa das perguntas, lágrimas por chegar às respostas das perguntas e logo depois da resposta… adivinha: Mais perguntas (e lágrimas).


Assim como todo tratamento terapêutico, passei por tudo isso. E o que me preocupa em meio a essa notícia? Simples: SERÁ? Será que estou preparado? Será que vou saber lidar com as crises sozinho? Será que sem esse "porto seguro" profissional as coisas vão continuar se desenrolando? Perguntas, perguntas e perguntas…

O que me apego é no argumento da terapeuta ao sugerir a liberação. Segunda ela, eu já superei e também aprendi a lidar com muita coisa. E supostamente entendi o método para lidar com tudo aquilo que ainda não superei ou que surgir a partir de agora, para ao menos tentar lidar com qualquer assunto. Seja ele profissional, familiar, afetivo ou etc. E a minha indagação pra ela foi simples, clara e objetiva: SERÁ? E a resposta foi: É seu presente de aniversário.

Não é ficar pagando de "evoluído", mas é a efetivamente a evolução que busquei ao longo desses dois LONGOS anos. Me sinto feliz com a notícia e ao mesmo tempo absolutamente apavorado com os próximos seis meses (tempo que ela me deu pra viver sem as consultas).

E o mais importante de toda essa história. Segundo ela mesmo, a comunicação foi um fator decisivo e importante para que chegássemos nesse ponto. E isso me fez chorar feito criança. O fato de condicionar minha cabeça pra sempre tentar me comunicar de forma assertiva (que seja comigo mesmo. Até porque eu falo sozinho pra caramba kkkk), me ajudou no processo evolutivo de autoconhecimento e sobre as relações à minha volta. Dedicar tempo e energia só ao que realmente importa. Me amar e me valorizar antes de qualquer outra pessoa. Aprender a viver e conviver comigo mesmo, saber as minhas limitações e valores.


Entender a importância das lutas sociais e a necessidade de ser mais plural e menos singular, assim como outra reflexão que escrevi.

Eu não sou um expert, eu estou absolutamente longe de ser o "cara do CNV", como já fui questionado, mas sendo bem honesto, preciso dizer que é uma alegria e satisfação sem tamanho saber que isso me ajudou nos últimos dois anos. E pensar que na primeira sessão eu falei pra terapeuta frases do tipo: "Eu não sei porque estou aqui", "Não acredito em nada do que vai ser feito aqui" e no fim da primeira sessão a gente conversava sobre a diferença da vontade de se matar com a vontade de morrer.

Foram 2 intensos anos que me fizeram chegar aos 30 mais maduro, ouvindo mais, falando menos, pensando mais, refletindo mais e principalmente, condicionando minha cabeça a não deixar de ser eu, não deixar de me amar e valorizar, sabendo separar e lidar apenas com aquilo que efetivamente cabe a mim e assim, compartilhando felicidade com quem amo.

É um texto piegas, em primeira pessoa, com relato e desabafo, sem grandes filosofias ou reflexões, mas eu não consegui dormir antes de cuspir tudo isso. Seria aqui a metade da vida? Não dá pra saber, mas se um dia o Felipe Alecrim de 60 ler isso, queria deixar registrado pra ele: "Caro Alecrim de 60. Saiba, meu mano que os 30 chegaram rápido e dos 28 pra cá foram anos intensos, você se lembra, eu sei que você se lembra. O destino nos reservou esses anos de aprendizados na força bruta, mas passamos! Não se esqueça de quem você é. Tem hora que que não vale a pena ser diplomático e político se for para não ser você. Nunca se esqueça das lutas sociais, a singularidade não leva ninguém a nada, a singularidade, o egoísmo e hipocrisia caminham lado a lado. Antes dos 30 a gente viu isso beeeeem de perto, infelizmente. Te cuida, meu mano. Quando chegarmos aos 60, escrevemos pro nosso eu de 90, pois enquanto tiver combustível a nave não para de voar".


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